E poder encher-te de miminhos!

Este eras tu, quando tinhas um ano.
Escolhemos-te porque eras o mais rechoncha da ninhada. O mais pacholas e o mais recatado.
Foste uma bolinha da pelo.
Passaste a pernalta, quando as pernas te começaram a crescer e o resto do corpo pareceu ficar para trás.
Depois ficaste assim, elegante e ainda mais lindo.
Sempre fotogénico, já tinhas o ar envergonhado mas de atitude curiosa.
Pelo meio pregaste-nos umas quantas partidas que, felizmente, nunca deram em tristeza. A nós e a quem tratou de ti...
Daqui a duas semanas e meia fazes 7 anos. Todos plenos de alegria, de carinho, de companheirismo, de dedicação e fidelidade. Embora sem palavras, nunca nos escondeste o que sentias, o quanto gostavas de nós.
Sabes que és totalmente retribuído. És um de nós e és amado como tal!
Num período da minha vida em que chegava a casa depois de todos já estarem deitados, sempre esperaste por mim. Para me dizeres "olá" e para me dares o apoio que sabias que eu precisava. Foste a minha rocha. Aquele que, independentemente das horas ou dos humores, esteve sempre lá para mim.
Amanhã vamos estar novamente cheios de preocupações contigo...
Sê forte e porta-te bem, por favor!
Amanhã quero-te de volta.
E, por esta hora, conto já estar a dar-te miminhos outra vez...

Quando as magnólias desabrocham ainda a árvore não tem folhas.
É como se ela concentrasse todas a suas forças no acessório, ainda antes de o fazer no que lhe é essencial - dá flor ainda antes de fazer brotar folhas.
É uma flor muito singela mas, no entanto, muito bela.
No jardim como na vida, também as coisas mais simples são as mais belas...
"O grande medo dos Gauleses" ou "Ele há dias..."
0 Comments Published by Aegir on 14 março 2006 at 01:05.
Era que o céu lhes caísse em cima da cabeça.
Mas foi um medo que nunca se concretizou, nem mesmo depois de César tomar Vercingetórix como prisioneiro, após este lhe depôr as armas aos pés, na sequência da Batalha de Alésia.
É, à nossa luz, mais que um medo irracional, um medo do impossível.
Mas há dias em que os compreendo.
Porque ele há dias em que quase só me falta acontecer isso - que o céu me caia na cabeça.
A Vida é uma caminhada, ao longo da qual vamos aprendendo coisas. Na essência, aprendemos a torná-la útil, dirigida a um fim que entendemos nobre e merecedor da nossa atenção e dedicação, por forma a a vivermos e a deixarmos a quem se segue uma realidade melhor.
É uma caminhada que nos permite relizarmo-nos, com alegrias e sucessos, onde encontramos tantas outras pessoas que partilham os nossos objectivos. Coisas e Pessoas que nos fazem felizes e nos mostram que não estamos sós.
Mas também é uma caminhada muitas vezes difícil, preenchida de escolhos, tristezas, desilusões e sensação de impotência, que nos levam a pensar o para quê ou o porquê?.
Não me considero um derrotado.
Sei o que quero, porque quero e tenho noção do caminho que devo tomar.
Conheço a diferença entre o como posso lá chegar e o como devo lá chegar.
Mas há ele há dias - ou muitos dias, mais conhecidos por "alturas" - em que até o maior dos Santos põe em causa a sua Fé.
Na tal longa caminhada vamos aprendendo a lidar com os momentos menos bons, seja no sentido de como os evitar, de como nos protegermos quando lidamos com eles ou de como ultrepassá-los.
Vivo, infelizmente por várias ordens de razão, um momento menos bom na minha vida.
Não o avistei nem o consegui evitar quando o comecei a ver.
Ainda não sei como o ultrapassar.
Estou na fase de lidar com ele.
Mas sinto-me despido por não saber como o fazer.
Tudo o que aprendi até hoje não me preparou para este momento.
Associo a nossa Vida a um círculo.
Um segmento de linha que começa num ponto cujo precedente desconhecemos, que se desenrola, de forma mais ou menos contínua e coerente, mais ou menos longa, naquilo que conhecemos e que termina no ponto em que começou, de volta ao tal algo que desconhecemos.
Mas a nossa vida também é um quadrado.
Onde cada uma das faces corresponde a lados essenciais do que a preenche - o eu, os outros, as emoções e as ocupações.
Em melhor rigor geométrico, um paralelograma, onde o lado do "eu" é igual à soma dos lados dos "outros", das "emoções" e das "ocupações".
O meu desafio de Vida tem sido não a quadratura do círculo mas antes o arredondar da minha vida, por forma a torná-la mais harmoniosa, mais complementada e sustentada e menos angulosa, para melhor a poder percorrer e deixar fluir.
Até hoje, nunca tive nenhum momento menos bom que tenha sido causado por mais que dois lados do quadrado que é o círculo da minha Vida. Tenho tido sempre, pelo menos, um lado para onde me virar e ir buscar forças para lidar com o(s) lado(s) menos bom(ns).
Este momento menos bom toca todos os outros lados e, em consequência, o do "eu".
Do lado dos "outros" toca, essencial e preocupantemente, na Família, no lado das "emoções" é transversal, no lado das "ocupações" também tem sido transversal.
Sobra o "eu", que é a soma de todos os outros lados... Para o bom e para o mau.
Não tenho lados onde ir buscar forças ou apoio ou onde me refugiar ou proteger.
Sei que este momento não durará para sempre. Que será ultrapassado.
Mas também sei que não há milagre ou panaceia que o resolva de hoje para amanhã.
Desengane-se quem achar o contrário.
Sei que há que refazer ou recompor cada um dos lados.
Mas também sei que não posso dirigir todas as minhas forças apenas para um de cada vez, na esperança que ele contribua para a melhoria posterior dos outros, pois as facetas que compõem a nossa existência não param no tempo e são um Todo.
Desengane-se quem achar o contrário.
Há, pois, que ter Fé e perseverar.
Tendo a certeza que um dia olharei para trás, para este momento menos bom, e verei mais uma experência vivida que me ensinou algo.
Pela dimensão das coisas, muito!
E que, afinal, o céu não me caiu em cima da cabeça.
Porque ele há dias maus, mas também os há bons!

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus (?)
Eugénio de Andrade


