De estados de espírito e não só...


Recordações


A propósito de umas "limpezas" forçadas, hoje meti-me a arrumar um saco de memórias.
Todas antigas, algumas com mais de 20 anos.
A primeira coisa que me foi estranha foi chegar à conclusão que já tinha memórias guardadas com 20 anos. Estou a ficar velho, portanto.
Depois foi todo um processo de catártese estranho.
Se havia memórias que ainda me dizem coisas, outras havia que já eram só isso. Memórias com registo físico e que se limitavam a essa existência física, na medida em que, pelos vistos, já as tinha purgado da minha memória emocional e cerebral.
Quem me conhece sabe o quanto me custa separar-me dos meus tarecos. Dizem que é do signo, não sei...
Mas hoje impus-me um desafio - a obrigatoriedade de seleccionar as memórias que teriam de ser destruídas.
Curiosamente, foi algo que custou menos do que eu pensava. Muito menos!
Acho que a idade e a distância de muitas dessas memórias me soltarm o suficiente para as deixar seguir o seu caminho. Não sei bem para onde, mas sei que para fora da minha vida.
Não que tenha estado a apagar coisas menos boas ou que queria esquecer. Simplesmente, eram coisas que tiveram o seu tempo na minha vida e estavam, manifestamente, fora de prazo.
Curioso é também sentir que a pessoa que hoje sou é diferente da pessoa que fui nos tempos dessas memórias.
Como se houvesse uma barreira entre dois eus.
Ao ponto de até me sentir estranho a mim próprio.
A arrumação foi feita.
E as memórias "físicas" que sobram são muito menos que aquelas que tinha acumulado. Sobraram, talvez, um quinto delas em volume.
Mas acho que esse quinto e a minha ponte com o meu passado.
Cartas de namoricos, correspondência, bilhetes, registos, diários... Foram quase todos.
Deixei partir algumas pessoas que passaram pela minha vida. Umas que já partiram deste mundo, outras que andam por aí, algures, na vida delas.
E no final, fica uma certa sensação de estranho conforto.
Uma espécie de leveza, talvez.
Sensação reforçada pela continuação e manutenção de algumas das memórias que são os meus tesouros.
No meio de conchas, fotografias, poemas e outras coisas que sobram, partilho umas palavras que me dedicaram no meu aniversário do longínquo ano de 1991.
Embora ela nunca tenha ganho a coragem para tocar violino só para mim, deu-me muitas outras coisas. E, olhando para trás, para o que vivemos e para os registos que deixou, tenho a sensação que gostou muito mais de mim do que alguma vez pensei que ela tivesse gostado. Por vezes andamos tão distraídos a viver a nossa vida que nos esquecemos de a viver como deve ser.
Paradoxal, não é?


Se não puderes ser um pinheiro no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale,
Mas sê o melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva,
E dá alegria a um caminho.
Se não puderes ser estrada,
Sê apenas uma senda.
Se não puderes ser sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê melhor no que quer que sejas!

[CSG]

1 Responses to “Recordações”

  1. # Blogger JUSTaDREAMER

    Sem dúvida k é do signo...
    Como é difícil deitar algo fora ou simplesmente separarmo-nos de objectos k estao guardados sejam há seculos ou ate msm ha algs minutos...
    Enfimm...somos msm sentimentalistas...k fazer ne!!  

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